ORQUESTRA MANGUEFÔNICA ENCERRA PRIMEIRA NOITE DO CARNAVAL
Alexandro Auler
Depois da abertura oficial do Carnaval Multicultural 2005, as bandas mundo livre S/A e Nação Zumbi subiram ao palco do Marco Zero e encantaram a multidão por mais de duas horas. Juntas, elas formam o projeto Orquestra Manguefônica, que tocou no Recife pela primeira vez nesta sexta (4), com um repertório variado que incluiu sucessos das bandas e novas composições. O show também foi uma grande homenagem a Chico Science, morto há oito anos. O supergrupo tocou o disco “Da Lama ao Caos” (1994) na íntegra - em versões diferentes – apresentou canções da mundo livre S/A e músicas dos discos recentes da Nação. O encerramento, com “Quando a Maré Encher” e “Manguetown”, foi apoteótico.
Para quem veio de muito longe, o show foi também uma grande recompensa. Que o digam os japoneses Tusuke Sakai e Harumi Royama. O casal de amigos veio passar todo o carnaval na cidade. Tusuke já esteve aqui tantas vezes que nem sabe dizer exatamente quantas. Já o amigo Harumi curte o Recife pela primeira vez. Ele contou que conhece o som das bandas pernambucanas, pois pesquisa música brasileira há seis anos. “Eu adoro a Nação, o mundo livre, o Chico Science. A música é diferente, tem muito ritmo. Acho que eu tenho mais é que aproveitar o privilégio que é estar aqui”, afirmou o estudante.
Para a imensa maioria da multidão que lotou o Marco Zero a língua não é problema. Por isso, Nação Zumbi e mundo livre S/A foram acompanhados por um imenso coro. “Esse show está um delírio”, afirmou o estudante Sidney França. Argumento para um show assim, todo mundo tinha um. “Eles sempre tocam melhor em Recife, graças a Deus por isso”, declarou o economista Getúlio Fernandes. E se para o público a apresentação foi show de bola, para os artistas foi melhor que o esperado. “Foi como vestir a camisa da seleção brasileira pela primeira vez”, comentou Fred Zero Quatro, vocalista da mundo livre.