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Cultura

HILDEBERTO BARBOSA E SILVIANO SANTIAGO COMANDAM DEBATE SOBRE REGIONALISMO
00:00 Quinta-feira, 26 de Agosto de 2010

FOTOS: Antônio Tenório
Debate com os autores Hildeberto Barbosa e Silviano Santiago
Debate com os autores Hildeberto Barbosa e Silviano Santiago
Evento faz parte do Festival Recifense de Literatura
Evento faz parte do Festival Recifense de Literatura

A rotulação de obras literárias foi o principal ponto criticado pelos debatedores

Por Jaciana Sobrinho

As nuances do regionalismo e da contemporaneidade foram o mote da conversa entre o público do Festival Recifense de Literatura – A Letra e a Voz. Os responsáveis pelo rumo do debate foram os autores Hildeberto Barbosa e Silviano Santiago. Os dois expuseram seus pontos de vistas a respeito do assunto que rende discussões e trabalhos acadêmicos já há muito tempo.

“Eu não gosto dessa ideia de rotular as coisas, as obras. O sentimentalismo exagerado termina comprometendo a estética e a qualidade de uma obra, a exemplo do sertanismo de José de Alencar”, opina Hildeberto Barbosa. “O regionalismo nada mais é que um recorte do conceito de nacionalidade e isso se torna ainda menor quando ouvimos falar de regionalismo romântico, regionalismo realista e regionalismo moderno. Para que tantos adjetivos? As obras acontecem em regiões e não importa se rural ou urbana, o conceito de literatura regionalista é condutor, ao mesmo tempo em que é excludente”, explica Barbosa.

Já Silviano Santiago acredita que a literatura vem sendo adjetivada devido à necessidade do leitor e, até mesmo, do mercado de encontrar uma identidade para as obras. “Estamos aquém quando rotulamos, há um rebaixamento estético, mas, a meu ver, se faz necessária a existência de autores como Raquel de Queiroz Guimarães Rosa e Jorge Amado, para que se entenda, por exemplo, a grandeza do Brasil e seus costumes”, afirma Santiago.

O doutorando em letras Artur Ataíde ficou atento às considerações dos mestres. “Eu acredito que as boas obras têm um pouco de cada gênero, não é preciso ter um rótulo. No entanto, mesmo tendo opinião formada sobre isso, acho muito valioso um debate como esse, pois traz para o público comum, que está fora do ambiente acadêmico, um assunto que vem sendo estudado há anos, mas que muita gente desconhece e ignora sua importância”, conta Ataíde.

Hildeberto Barbosa - Além de professor universitário, Hildeberto é crítico literário, escritor, poeta e jornalista; mantém uma coluna no jornal O Norte, escrevendo sobre literatura. Colabora nos jornais A União, Correio da Paraíba, O Momento, Correio das Artes; Jornal do Comércio e Diário de Pernambuco (PE); O Galo (RN), O Pão (CE); D.O. Leitura (SP); Suplemento Literário de Minas Gerais (MG) e a Revista Cultura Vozes (RJ).

Suas obras: (Poesia) A geometria da paixão, UNIGRAF, 1986; O livro da agonia e outros poemas, Idéia, 1991; São teus estes boleros.João Pessoa: Idéia, 1992; O exílio dos dias.João Pessoa: Idéia, 1994; Desolado lobo.João Pessoa: Idéia, 1994; A comarca das pedras João Pessoa: Manufatura, 1997; Ofertório dos bens naturais. João Pessoa: Manufatura, 1998. Crítica literária e ensaios: Aspecto do Augusto dos Anjos. João Pessoa: SEC/DGC, 1981; A convivência crítica: ensaios sobre a produção literária da Paraíba. João Pessoa: Governo do Estado, 1985; Ascendino Leite: a paixão de ver e sentir. João Pessoa: SECETUR, 1985; Osias Gomes: a plenitude humana e literária. João Pessoa: SECETUR, 1986; Sanhauá: uma ponte para a modernidade. João Pessoa: FUNESC, 1989; A impressão da palavra: literatura e jornalismo cultural. João Pessoa: Idéia, 1993; Os desenredos da criação: livros e autores paraibanos. João Pessoa: UFPB, 1996; Namoro com a doce banalidade. João Pessoa: Idéia, 1997.

Silviano Santiago - Ensaísta, poeta, contista e romancista, Silviano Santiago nasceu em Formiga (MG), em 29 de setembro de 1936. Em 1959, formou-se em Letras Neolatinas. Sua estreia literária em livro se dará em 4poetas, em parceria com Affonso, Domingos Muchon e Teresinha Alves Pereira. Já no Rio de Janeiro, começa a se especializar em literatura francesa, o que o levará ao doutorado na Universidade de Paris, Sorbonne, onde decifra o manuscrito Moedeiros Falsos de André Gide, recebe o primeiro lugar e ganha bolsa de estudo do governo Francês. Silviano apresenta em Paris sua candidatura ao posto de instrutor na Universidade do Novo México, em Albuquerque, entre os anos 1962 a 1964. Em 1969, publica em Nova York a antologia Brasil. Em 1975, publica Antologia de Prosa e Verso de Ariano Suassuna e a edição comentada do romance Iracema. No ano seguinte, participa do X Festival de Inverno de Ouro Preto.

Em 1985, publica suas traduções para os Poemas de Jacques Prévert e, dez anos depois, traduz Por Que Amo Barthers, de Alain Robbe-Grillet. É nomeado pelo ministro da Cultura como membro da Comissão Julgadora do Prêmio Literário Nacional/1989.

Silviano auxilia Heloísa Buarque de Hollanda e sua equipe a montar o Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC), em 1994. No ano seguinte, participou do II Encontro Internacional de Poetas, na Universidade de Coimbra. E em 1996, participa, em Toronto, da conferência sobre o projeto de História da Literatura Latino-americana, originado de Bellagio.

Obras do autor: 4 Poetas, Duas Faces, O Banquete, Salto, O Olhar, Carlos Drummond de Andrade (ensaio), Vale Quanto Pesa (ensaio), Stella Manhattan, Crescendo Durante a Guerra numa Província Ultramarina, Uma Literatura nos Trópicos, Em Liberdade (diário), Nas Malhas da Letra, Uma História de Família (ganhou o Prêmio Jabuti de Romance em 1993), Cheiro Forte (poesia), etc.

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