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Cultura

CADERNO DE TEXTOS RECEBE TRADUÇÕES EM LIBRAS E ÁUDIO-DESCRIÇÃO
00:00 Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010

FOTOS: Antônio Tenório
Diálogos entre Arte e Público vai sair em Libras
Diálogos entre Arte e Público vai sair em Libras
Caderno chega ao 3º volume com realização
Caderno chega ao 3º volume com realização

A publicação é fruto de amplas parcerias em prol da acessibilidade cultural para pessoas com deficiência

No ano em que o tema da publicação é “Acessibilidade Cultural: o que é acessível e para quem?”, o Caderno de Textos – Diálogos entre Arte e Público vai sair na versão impressa, mas também terá áudio-descrição e tradução em Libras. O Caderno chega ao 3º volume com realização da Gerência de Serviços de Formação em Artes Visuais da Secretaria de cultura / Fundação de Cultura Cidade do Recife – FCCR em parceria com a Funarte – Fundação Nacional de Artes.

A versão impressa já está pronta, aguardando o encarte com as traduções que o tornarão acessível também a pessoas com deficiências visuais e auditivas. Para a realização dos processos de tradução e o uso de tecnologias assistivas adequadas, o projeto conta com o apoio do Centro de Estudos Inclusivos da UFPE. A áudio-descrição foi gravada no estúdio de rádio da Secretaria de Comunicação da Prefeitura do Recife, com edição realizada pelo jornalista Geraldo de Fraga.

Libras - Juliana Melo e Mirele Maria da Silva são responsáveis pela tradução, ambas estudantes do Curso de Graduação em Letras/Libras da UFPE. Apesar de não serem surdas, as jovens entendem muito bem as necessidades de quem vive com a deficiência. “Para o surdo, língua portuguesa é aprendida como segunda língua. É como se uma pessoa nascida no Brasil estudasse inglês, mas não tivesse conhecimento profundo. Ela não se interessa pela leitura de textos mais complexos”, explicou Mirele.

Como você começou a se interessar por Libras? Juliana ri ao ouvir a pergunta, tantas vezes respondida e continua rindo ao narrar: “Eu conheci Libras na escola filando. Uma amiga que tinha vizinhos surdos ensinou só as letras para nos comunicarmos durante as provas. Eu gostei, mas era muito restrito. Até que, fazendo o pré-vestibular no Soares Dutra, encontrei o curso”. Juliana se refere ao Curso Técnico em Libras, oferecido gratuitamente pelo governo do Estado na Escola Almirante Soares Dutra, bairro de Santo Amaro.

Na graduação, as duas convivem diariamente com estudantes surdos, que têm direito à metade das vagas. Juliana ressalta a importância da convivência com grupos de surdos: “A gente tem que estar sempre no meio da comunidade. Libras é uma língua que está se constituindo. A gramática ainda está se construindo. Ainda há poucos estudos no Brasil. Na França, por exemplo, estão bem avançados”, ensina.

Quem tem a oportunidade de acompanhar um processo de tradução em Libras pode perceber como a expressão facial é relevante para a interpretação dos textos, principalmente para a distinção entre tempos verbais e pontuação das frases. É importante também a criação de novos gestos para a representação de termos específicos dos assuntos tratados, como também para nomes de pessoas e lugares.

Parcerias - Regina lembra que o Caderno de Textos é parte integrante do 5º Encontro Diálogos entre Arte e Público, que aconteceu nos dias 19 e 20 de agosto de 2010 no auditório do MAMAM e que todos os parceiros do Encontro são também importantes para a realização do Caderno. São eles Cepe – Companhia Editora de Pernambuco, Fundação Joaquim Nabuco, Ministério da Educação, Instituto Ricardo Brennand, Remic - Rede de Educadores em Museus e Instituições Culturais de Pernambuco. O lançamento está revisto para janeiro de 2011.

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