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Carnaval Multicultural do Recife

ENTREVISTA COM JOSÉ CLÁUDIO: HOMENAGEADO DO CARNAVAL MULTICULTURAL 2012
00:00 Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

Clélio Tomaz
Pintor José Cláudio, homenageado do carnaval
Pintor José Cláudio, homenageado do carnaval

“Eu vou para o Carnaval olhar tudo com olhos de criança”, José Cláudio

Por Ana Nogueira

Cidade cultural, berço de poetas e artistas de todos os gêneros, o Recife se vestiu com arte para brincar o Carnaval 2012. Como numa grande galeria a céu aberto, para onde se olha é possível ver as figuras criadas pelo pintor José Cláudio, um dos homenageados da folia este ano e também encarregado de colorir o cenário para a festa. Nascido em Ipojuca, na mata sul de Pernambuco, e morador de Olinda, mas profundo conhecedor das entranhas do Recife, José Cláudio embarcou no mote fornecido pela equipe de Carlos Augusto Lira, responsável pelo projeto cenográfico,
uma iniciativa da Prefeitura do Recife. O resultado está nas ruas para todo mundo ver.

Mulheres de coxas grossas, passistas, mestres-salas, pássaros, frutas, La ursas e tantas outras figuras que fazem parte do imaginário carnavalesco saíram das telas e agora aproximam o artista do povo, nas ruas, praças e pontes. José Cláudio conta que se envolveu tanto no projeto a ponto de sugerir pequenas mudanças, as quais foram aceitas pelos designers Lucídio Leão e Isabela Faria. Também destaca que aprovou a interferência dos profissionais da equipe nas suas obras. “Ficou tão bom que estou com vontade de copiar”, brincou.

A relação do homenageado com o Carnaval vem desde a infância em Ipojuca, mas ele gosta de renovar as imagens, indo todo ano ver um pouco do Carnaval no Centro do Recife, onde morou nos anos 50. Nestes momentos, conta, José Cláudio busca a pureza dos gestos dos brincantes, que fazem dele um artista inspirado. “Eu vou para o Carnaval olhar tudo com olhos de criança”, ensina.

Na sua casa em Olinda, onde funciona o ateliê, José Cláudio concedeu uma entrevista, em que falou um pouco sobre o processo de criação das peças para o Carnaval 2012.

Como recebeu a notícia que ia ser um dos homenageados da festa, cuja cenografia também será assinada pelo Senhor?
- No fundo eu tinha essa vaidade, de ter minha obra conhecida do grande público, porque só quem se interessa e pode comprar um quadro é a minoria. Com o andamento do projeto, fui ficando empolgado com a ideia de me ver no Recife inteiro.

Suas obras já têm tudo a ver com o Carnaval do Recife, mas o Senhor criou 40 pinturas inéditas para a festa deste ano. Como foi o processo de criação das peças?
- O pessoal da equipe de Carlos Augusto Lira me falou como seria, então eu trabalhei em cima do que eles pediram, observando o local onde as peças seriam instaladas. No Pátio do Terço, por exemplo, onde fica o Polo Afro, eles sugeriram elementos do maracatu, mas eu perguntei se não seria melhor os símbolos dos orixás - martelo, gamela, tridente, arco e flecha, sereia. E eles aceitaram.

Como foi pintar as mulheres de Alceu Valença?
- Só tive um pouco de dificuldade em pintar o Diabo Louro. Adoro pintar mulheres, mas nunca pintei loura.

As personagens que elegeu pra ilustrar as peças do Carnaval do Recife trazem algo de pessoal, ou seja, teriam sido os seus preferidos nos carnavais que o Senhor vivenciou na sua mocidade, por exemplo?
- Minha relação com as personagens do Carnaval vem desde criança. Meu pai era dono de uma loja no Centro de Ipojuca que vendia tecidos, ferragens, miudezas, perfume, guarda-chuva. Um mês antes do Carnaval chegavam caixas e mais caixas de lança-perfume, confete, serpentina, sombrinha de frevo. Então o Carnaval de Ipojuca começava na loja do meu pai. E durante a festa os blocos que passavam na frente entravam na loja. Era o pastoril dos homens, os sambas de matuto que vinham dos engenhos, muito parecido com o maracatu de hoje, mas sem os metais. Na cidade tinha um artesão, o Ramiro de Bina, que fazia máscaras originais, nada a ver com estas influenciadas pelo cinema, da Disney.

Que tipo de traço o Senhor costuma utilizar nos seus desenhos, especialmente sobre os festejos populares?
- Eu comecei a pintar com Abelardo da Hora, que mandava a gente ir para a rua, observar as pessoas, os gestos. Essa foi a minha escola. Outro dia, vendo o documentário sobre o dramaturgo Hermilo Borba Filho (cujo romance Agá, da Editora Civilização Brasileira, de 1974, foi ilustrado por José Cláudio), vi que Hermilo mandava os atores dele irem para a rua, ver o povo, as manifestações populares, o bumba-meu- boi, para que eles pudessem observar o gestual. Eu tenho muitas imagens na minha cabeça de troças, bois, ursos, mas eu sempre procuro renová-las, indo para o Recife todo Carnaval.

Qual bloco ou tipo de agremiação marcou sua vida?
- Já adulto, morando no Pátio de Santa Cruz, no Recife, eu morava perto da sede de dois blocos, O Cachorro do Homem do Miúdo e Lenhadores, que acompanhei durante muito tempo. E um dos primeiros quadros que pintei foi sobre a Burra do Rosário de Olinda.

Neste Carnaval, pretende seguir algum bloco, ir para algum Baile?
- Eu gosto de ver os blocos de bairro, que saem durante o dia, mas quero ver um pouco de tudo este ano.

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