
 Rei e rainha de uma nação criança |
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CORTEJO É CHAMADO DE MARACATU
Com a abolição da escravatura negra, em 1888, e a proclamação da República, em 1889, a figura do Rei do Congo - Muchino Riá Congo - perdeu a sua razão de ser. Os cortejos dos reis negros já presentes no carnaval, por sua vez, passaram a ter como chefe temporal e espiritual os babalorixás dos terreiros do culto nagô e vieram para as ruas do Recife, não somente nos dias de festas religiosas em honra de Nossa Senhora do Rosário, mas também nas festas carnavalescas.
Após a abolição, porém, os antigos cortejos das nações africanas, que continuaram a se fazer presentes no carnaval do Recife então sob a chefia dos seus babalorixás, passaram a ser chamados de maracatus, particularmente quando a notícia tinha conotação policial, como a divulgada pelo Diario de Pernambuco, em sua edição de 26 de fevereiro de 1889.
Ainda recentemente, ao que se depreende do depoimento do presidente da Nação do Leão Coroado, Luiz de França, falecido aos 95 anos, "para conversar pouco, só digo que o maracatu é da seita africana". (Diario de Pernambuco, 14 de janeiro de 1996).
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A mais tocante descrição de um maracatu carnavalesco do início do século vem de Francisco Augusto Pereira da Costa (1851-1923) que, em 1908, assim relata o cortejo no seu Folk-Lore Pernambucano 1 :
Rompe o préstito um estandarte ladeado por arqueiros, seguindo-se em alas dois cordões de mulheres lindamente ataviadas, com os seus turbantes ornados de fitas de cores variegadas, espelhinhos e outros enfeites, figurando no meio desses cordões vários personagens, entre os quais os que conduzem os fetiches religiosos, — galo de madeira, um jacaré empalhado e uma boneca de vestes brancas com manto azul — ; e logo após, formados em linha, figuram os dignitários da corte, fechando o préstito o rei e a rainha.
Estes dois personagens, ostentando as insígnias da realeza, como coroas, cetros e compridos mantos sustidos por caudatários, marcham sob uma grande umbela e guardados por arqueiros.
No coice vêm os instrumentos: tambores, buzinas e outros de feição africana, que acompanham os cantos de marcha e danças diversas com um estrépito horrível.
Aruenda qui tenda, tenda,
Aruenda qui tenda, tenda,
Aruenda de totororó.
1 COSTA, F. A . Folk-Lore Pernambucano. Rio: Imprensa Oficial, 1908.
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