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Com 59 apresentações, distribuídas em cinco teatros recifenses, evento populariza espetáculos
Acontece na quinta-feira, 8 de novembro, às 19h, no Teatro Santa Isabel, a abertura oficial do X FESTIVAL RECIFE DO TEATRO NACIONAL, com a apresentação do espetáculo “Pequenos Milagres”, do consagrado grupo Galpão (MG), com mais de vinte anos de estrada no teatro de pesquisa. A cerimônia contará com a presença do prefeito João Paulo Lima e Silva; do secretário de Cultura João Roberto Peixe; do presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife, Fernando Duarte; da coordenadora geral do Festival Recife do Teatro Nacional, Lúcia Machado; família do homenageado, patrocinadores, jornalistas e convidados especiais.
A maratona de espetáculos, no entanto, já começa nesta quarta-feira, 7/11, às 19h, no Teatro Hermilo Borba Filho, com encenação do pernambucano “O Bom Samaritano”, do Projeto Aprendiz Encena. A peça é encenada por Samuel Santos, com texto de Hermilo Borba Filho, homenageado desta edição, e produzida pelo Centro de Formação e Pesquisa das Artes Cênicas Apolo-Hermilo. O Festival - promovido pela Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura e Fundação de Cultura Cidade do Recife - segue até o dia 19 de novembro, com patrocínio da Eletrobrás, Chesf, Petrobrás e Caixa Econômica Federal.
O X FESTIVAL RECIFE DO TEATRO NACIONAL, que traz como tema “Teatro do Eu, Teatro do Mundo”, convida o público recifense a uma viagem por territórios instigantes da produção teatral brasileira contemporânea. Além dos espetáculos, o evento conta com uma intensa programação composta por seminários, oficinas, exposições, debates temáticos e lançamentos de livros.
Na grade, estão contabilizados 21 espetáculos, oriundos de vários estados brasileiros (como São Paulo, Pará, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Norte e Minas Gerais). No total, serão 59 apresentações, divididas entre vários teatros da cidade, escolas municipais e estaduais, centros culturais e praças de seis RPAs (Região Político-Administrativas) do Recife. Tudo seguindo o objetivo da política de descentralização das ações culturais.
Curadoria – A curadoria fica a cargo do jornalista, pesquisador e crítico teatral paraense Kil Abreu, radicado em São Paulo. A seleção dos espetáculos, como o próprio curador avalia, foi inspirada livremente em um título de Jean-Pierre Sarrazac (Théâtres du moi, théâtres du monde, Editions Médianes,1995) para indicar cruzamentos recorrentes na cena nacional: a de um teatro íntimo como coisa política e, do mesmo modo, a de um teatro social que não dispensa as instâncias da subjetividade. “Durante muito tempo convencionou-se dizer, por exemplo, que o teatro engajado dispensa a subjetividade; da mesma forma que o teatro de temas íntimos é avesso a discussão social”, explica.
Este ano, como uma das novidades, o Festival abrirá espaço para um debate com jornalistas de outros estados que irão discutir a cobertura do teatro pela imprensa. Para o debate, com o tema “Teatro fora do eixo: o papel da imprensa”, foram convidados os jornalistas Magela Lima (CE), Valmir Santos (SP), Beth Nespoli, Soraya Belusi (MG), Ivana Moura e Fabiana Morais (PE), com mediação de Kil Abreu. A mesa acontece no dia 10 de novembro, das 14h às 17h, no Teatro Hermilo Borba Filho.
Na programação de espetáculos, o público terá a chance de conferir peças de produções independentes como a carioca “Otelo da Mangueira”, dirigida por Daniel Herz; assim como a “Amores Surdos”, do recém formado Grupo Espanca! (MG), com várias apresentações pela Europa e ainda “Hoje é Dia do Amor” (SP), com texto de João Silvério Trevisan e direção do pernambucano Antônio Cadengue, que vem fazendo sucesso de público e crítica em São Paulo.
Daqui de Pernambuco, o Festival leva ao palco peças como “Negro de Estimação” (solo de Kleber Lourenço), “Mucurana, o peixe” (também com texto de Hermilo Borba Filho), “O Amor do Galo pela Galinha D’água” e “Meu Reino por um Drama”. De uma maneira geral, como explica a coordenadora geral do evento, Lúcia Machado, “a programação oferece espetáculos para pequeno, médio e grande público. Para os “iniciados”, os profissionais da área ou de áreas afins, mas também para quem é admirador do teatro, que busca um bom entretenimento”, enfatiza.
Os ingressos para os espetáculos continuam com preços populares, que democratizam o acesso ao teatro. Custam R$ 5 nos teatros Santa Isabel, Apolo, Hermilo; e R$ 1, no Teatro do Parque. A classe artística tem ingresso especial por R$ 2. E com gratuidade nas apresentações em espaços públicos.
Homenageado – Com 22 peças no currículo, o escritor e diretor de teatro Hermilo Borba Filho (1917-1976), foi um dos fundadores do Teatro do Estudante de Pernambuco, junto com nomes como Ariano Suassuna, José Laurénio de Melo e Gastão de Holanda. Depois de uma temporada em São Paulo, onde dirigiu várias companhias importantes como a Cia. Nydia Lícia-Sérgio Cardoso, Cia. Cacilda Becker, Cia. Dercy Gonçalves, e os grupos Stúdio Teatral e o Teatro Paulistano de Comédia, voltou ao Recife como professor de História do Teatro da Escola de Belas Artes da UFPE. Aqui também fundou o Teatro de Arena e o Teatro Popular do Nordeste. Paralelamente a vida dedicada ao teatro, Hermilo atuou como jornalista com passagem pelos jornais Última Hora, Correio Paulistano e Revista Visão.
Eventos Especiais – Dentro das ações especiais, com foco na formação e aperfeiçoamento profissionais, o Festival traça um olhar especial direcionado ao trabalho de novos dramaturgos, inclusive realizando leituras dramáticas de textos, como o seminário “Nova Dramaturgia Brasileira em Perspectiva”. “Aqui vamos ver, em uma pequena, mas valiosa amostra, a variedade de soluções temáticas e formais que estão sendo mobilizadas para traduzir a complexa engrenagem social, política e existencial que nos tem marcado recentemente. Da literatura inspirada nas culturas indígenas do Norte e recriadas na escrita experimental do amazonense Francisco Carlos ao universo de tipos urbanos do carioca Roberto Alvim, há uma boa variedade de interesses e procedimentos, que vão do teatro poético de Grace Passô e Newton Moreno à cena histórico-social de Márcio Marciano”, explica Kil Abreu. Entre os autores que terão ainda suas peças lidas, estão Emmanuel Nogueira (PB), Luiz Felipe Botelho e Newton Moreno (PE) e Marcos Barbosa (CE).
No eixo das atividades pedagógicas são oferecidas gratuitamente seis oficinas: “Iluminação com fontes alternativas”, com Lúcia Chedieck (SP); “Interpretação Realista para a Cena Contemporânea”, com Denise Weinberg (SP); “Iniciação à Dramaturgia”, com Roberto Alvim (RJ); “Teatro Dialético e Criação Coletiva”, com Márcio Marciano (SP); “Oficina Teatro com Bonecos”, com Aníbal Pacha (PA) e “Iniciação à Arte do Ator”, com Edgar Castro (SP).
Entre as exposições, uma dedicada ao próprio evento fazendo um verdadeiro apanhado das edições passadas, sob o título “Festival Recife do Teatro Nacional – 10 Atos”, com curadoria de Célio Pontes; “Encontro com Hermilo Borba Filho”, com seleção de documentos feitos pela diretora do Teatro Santa Isabel, Leda Alves e “Teatro da Vertigem: 15 anos de processos colaborativos”, com curadoria de Marcos Moraes. O evento contará ainda com o lançamento de algumas publicações, a exemplo de “A Esfinge Investigada – Seminário Nelson Rodrigues Recife 2006” (resultado da edição do ano passado), organizado por Aimar Labaki e Antonio Edson Cadengue, no dia 13/11, às 19h, no Teatro do Parque; “HERMILO – Lembrança viva de um mestre”, organizado por Lúcia Machado, no dia 17/11, às 18h, no Centro Apolo-Hermilo e “Hermilo Borba Filho – Teatro Selecionado. 03v, organizado por Leda Alves e Luís Augusto Reis.
Avaliação – a avaliação será feita pelo ator, diretor e dramaturgo Luiz Paulo Vasconcellos (RJ) – mas que mora em Porto Alegre, no dia 19 de novembro, às 19h, no Teatro Apolo. Luiz Paulo é Bacharel em Artes Cênicas pela UNIRIO e Mestre pela State University of New York. Atualmente, é professor de História do Teatro, no Teatro Escola de Porto Alegre; de Dramaturgia, no curso de Formação de Escritores da UNISINO; além de desde 2002 assinar uma coluna de teatro da revista Aplauso.
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