literatura
Poesia Viva do Recife

Homenagem aos 475 anos da Cidade

BANDEIRIANA
Gilson Oliveira
Como a casa do meu avô
o nosso amor tinha o gosto
das coisas eternas.
Também se situava
numa espécie de rua da União.
Hoje ele se localiza
numa rua paralela
(como são belos e tristes
os nomes das ruas do Recife!) :
a rua da Saudade...

(Da antologia Poesia viva do Recife,
organizada por Juareiz Correya)



GILSON OLIVEIRA – Recifense. Jornalista e compositor popular. Reportagens publicadas no Jornal do Commercio, Diario de Pernambuco e suplementos do Diário Oficial de Pernambuco. Integra a equipe do novo suplemento PERNAMBUCO, publicado pela CEPE/Governo do Estado.

01 a 30/06/2012
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LITERATURA

Ganga Meu Ganga - O REI
O texto Ganga meu Ganga - o Rei tem inspiração no Otelo de
Shakespeare. A trama se passa dentro de um Maracatu Nação, onde
homens e divindades do Candomblé se misturam numa luta pelo poder. A
tragédia é focada na coroa do Maracatu. Com o tempo surgem os
melindres do amor, que em conspirações constantes levam ao desespero
do ciúme e consequentemente à traição. Amor, ódio, ciúme, a busca
desmedida do poder, tudo isso são propósitos para construir a
carpintaria do texto. Sobra, além de tudo, a certeza de que a morte
não é um castigo para quem morre, mas talvez uma sentença para quem
fica. R$10

O cafuçu
O autor Marcos Soares conta a história de um negro pintor de parede da construção civil, um médico de família rica e uma travesti presidiária, que têm seus destinos cruzados. Seus sonhos, desejos, angústias, alegrias, tristezas, serão o mote de uma trama que trata de exacerbar os binarismos de nossa sociedade: amor/ódio, branco/negro, rico/pobre, aceitação/preconceito, liberdade/prisão. Os conceitos são o pano de fundo para uma intensa história de amor entre dois homens de origens muito diferentes e que buscarão no coração a razão para viver um sentimento arrebatador. A obra é editada pela Metanoia e possui 80 páginas. R$18

Pequeno Elucidário
A obra nasceu de uma inquietação do autor Fernando Cerqueira Lemos no que diz respeito ao uso inadequado ou equivocado de palavras e expressões. A obra é composta por 380 verbetes que versam sobre uma gama de assuntos ligados à arte. Os verbetes presentes na coletânea são encontrados também em dicionários comuns, porém o autor teve o cuidado em complementar os significados e outros termos importantes para a área interessada. Editado pela editora CEPE, o livro contém 344 páginas. R$90

MPB: compositores pernambucanos
A obra do autor Renato Phaelante é uma espécie de coletânea biográfica de 200 compositores pernambucanos. No livro, o leitor encontra um acervo sobre curiosidades, obras, interesse musical de autores como Carlos Pena Filho e da cantora Isaar. É através dele, inclusive, que se pode ter acesso a uma fonte essencial a qualquer admirador da música pernambucana. Editado pela CEPE, o exemplar contém 332 páginas. R$30

Noite pernambucana
O livro da autora Maria Lúcia Paulino Mendes identifica a existência e manutenção de locais de entretenimento de influências africana e caribenha. Na obra, o leitor tem a oportunidade de se deparar com esses redutos, como o Clube Bela Vista e também com as histórias dos personagens ambientados nesses lugares. Editado pela Fundação Antônio dos Santos Abranches, o exemplar contém 85 páginas.

A rima na escola, o verso na história
Inspirada no diário de viagens de Mario de Andrade pelo Norte e Nordeste do Brasil, a autora Maíra Soares Ferreira apresenta em seu livro a luta pela preservação da cultura popular afro-indígena e sertaneja e sua transmissão às novas gerações, em comunidades como a da favela do Real Parque, na capital paulista, formada por migrantes descendentes da aldeia Pankararu (PE). O livro é resultado de sua pesquisa-intervenção em torno da criação poética, desenvolvida em sala de aula com professores e alunos do 8º ano do ensino fundamental. A obra tem 240 páginas. R$32

Autógrafo: O sujeito do conhecimento
Livraria Cultura
Autor: Érico Andrade
4 l 19h
O livro mostra como o sujeito, como unidade conceitual do conhecimento, adquiriu centralidade no discurso filosófico e conferiu à condição humana os limites do conhecimento. Com a tese de que a linguagem é uso e que não existe uma estrutura lógica por trás de todas as representações cuja referência é o sujeito, a filosofia passou a relativizar o sujeito do conhecimento a ponto de dissolver a sua compreensão clássica como unidade do conhecimento humano.

Projeto Literatura e Ciências da Vida
Livraria Jaqueira
9 l 17h
O evento tem como centro de discussão a seguinte temática “A busca do significado em Demian, de Hermann Hesse”. Coordenado pelo professor Emanuel Sarinho e acompanhado do também professor Álvaro Medeiro Leite o encontro busca fazer uma análise das pequenas memórias do escritor José Saramago.

Autógrafo: Espanhol para concursos
Livraria Cultura
Autor: Flávia Conceição Ferreira da Silva
11 l 19h.
O espanhol, idioma que exalta o charme, o fascínio da cultura hispânica, aparece nos concursos públicos como uma ferramenta importante na vida daqueles que desejam concorrer a uma vaga numa instituição pública. A proposta deste livro é levar o estudante ao conhecimento necessário para sua aprovação nos diversos concursos nacionais. O livro apresenta uma compilação de provas de espanhol dos principais concursos, da área jurídica, realizados no Brasil.

Autógrafo: Agapinho
Livraria Cultura
Autor: Padre Marcelo Rossi
12 l 10h
Na edição infantil, que conta com ilustrações de Thais Linhares, o padre faz uma cuidadosa adaptação do conteúdo de seu best-seller para tratar de assuntos que fazem parte de uma boa formação cidadã: verdade, justiça, perdão, bondade, solidariedade e confiança.

II Mostra Sesc de Literatura Contemporânea
Sesc Santa Rita
13 a 17 | 9h às 12h e das 14h30 às 17h30
A mostra Sesc de Literatura Contemporânea é uma atividade formativa, que visa ao intercâmbio entre escritores locais e nacionais e a ampliação do diálogo com o seu público. O tema da terceira edição será “As Múltiplas Interfaces das Linguagens Artísticas e o seu Diálogo com a Literatura” e trará escritores que também transitam por outras vertentes artísticas, como o teatro, o cinema e as artes plásticas. A entrada é gratuita. Confira a programação:

Récita
14 l 19h30

Conversa com Ignácio Loyola Brandão
14 l 20h30

Récita com Maria Rezende
15,l 19h30

Conversa com Adriana Falcão
15 l 20h10

Récita com Chacal
16 l 17h

Conversa com Bráulio Tavares, Wilson Freire, Astier Basílio e Pedro Américo de Farias
16 l 17h40

Conversa com Francisco Alvim
16 l 19h30
Mediada por Fábio Andrade

Leitura Poética com Marcelino Freire
17 l 17h

Conversa com Marcelo Rubens Paiva
17 l 18h40
Mediada por Carolina Leão.

Autógrafo: Sustentabilidade na Administração Pública: valores e práticas de gestão socioambiental
Livraria Cultura
Organizadores: Marcos Weiss Bliacheris e Maria Augusta Soares de Oliveira Ferreira
14 l 19h
O livro aborda o tema da sustentabilidade na Administração Pública, suas bases jurídicas e administrativas, mostrando o novo cenário da gestão pública socioambiental.

Autógrafo: O cafuçu
Livraria Cultura
Autor: Marcos Soares
16 l 19h

Lançamento do livro: A rima na escola, o verso na história
Pátio de São Pedro
Autora: Maíra Soares Ferreira
19
O lançamento terá a participação da banda recifense Confluência e serão distribuídos gratuitamente 100 exemplares no dia do lançamento.

Autógrafo: Comentários à nova lei do mandado de segurança
Livraria Cultura
Organizador: Frederico Augusto Leopoldino Koeler
21l 19h
Coletânea de artigos de autoria de professores e alunos da tradicional Faculdade de Direito do Recife, da Universidade Federal de Pernambuco.

Autógrafo: Arquivo impresso: Poesia inédita (2012)
Livraria Cultura
Autor: Paulo Bruscky
22 l 19h

Meu vizinho, o escritor
Sesc Santa Rita
26 | 15h
Para ampliar as relações entre a literatura produzida em nosso meio e o público leitor, o Projeto Meu Vizinho convida mensalmente os leitores para participar de uma conversa informal com um escritor de Pernambuco ou de estados vizinhos. Este mês os escritores convidados são Susana Morais (PE) e Jorge Filó (PE), com provocação de Meca Moreno (PE).

Intervenções Poéticas
Sesc Santa Rita
27 | 12h
Entrada gratuita
Utilizando as linguagens da arte e da tradição oral, artistas são convidados a intervirem no espaço da Unidade de Santa Rita e surpreender quem por lá circula, fazendo recitais, performances, happenings etc., convidando a clientela a um passeio pela palavra, som e imagem. Este mês, os convidados são Valmir Jordão, Ivan Marinho e Malungo, que farão uma intervenção poética no local.

Autógrafo: Corpo Ético
Livraria Cultura
Autores: Andréa Graupen/ Carolina Cosentino/ Cristina Pinto Lopes / Edna Ferreira Lopes / Letícia Pereira Gomes / Marilda di Camargo / Patrícia Barreto / Reveca Bouqvar.
28 l 19h
O livro surge para abrir um espaço de diálogo entre o arteterapeuta e o seu fazer expressivo.

01 a 30/06/2012
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GIRO LITERÁRIO

Giro literário

Em entrevista a Agenda Cultural do Recife, o autor Albemar Araújo fala da concepção do livro Ganga meu ganga – O rei, que será lançado no próximo dia 9 na Tenda de Umbanda Pai Francisco, às 19h, da realização e do sentimento em publicar a obra. Confira a entrevista:

1- A obra na verdade é uma publicação de uma peça teatral. Quando você a escreveu? E por que só agora resolveu publicá-la?
Meu texto foi escrito em 2007. Não é que somente agora eu ter resolvido publicar. Acontece que, somente agora, com o apoio do SESC, eu tive condições de publicá-lo. Esse trabalho magnífico que o SESC desenvolve com a Cultura local proporcionou este momento maravilhoso para mim, que é publicar Ganga meu Ganga - o Rei.

2- Como é o processo de transcrição de uma obra cênica para o formato literário, isso está relacionado às regras linguísticas?
Nesse caso não é a transcrição de uma obra cênica para o formato
literário. É a escrita dramática em si, posto que, normalmente,
primeiro temos o texto dramático, a obra literária, para posteriormente
termos a encenação. A obra é posta em cena. Ao se escrever uma peça
teatral, pelo menos no meu caso, não se deve ter a preocupação com as
regras linguísticas, mas com as regras dramáticas – a construção do
personagem, sua linha psicológica. A carpintaria teatral. O conflito,
etc.

3- Logicamente o autor só fala ou escreve sobre aquilo que domina.Você ficou quanto tempo mergulhado nessa história? E como se deu o processo criativo?
O tema de que trata o texto de Ganga, é de forte ligação com a
religiosidade afro-brasileira. Neste campo, eu vivo mergulhado desde
1972 – sou Omanojuobá de Xangô (o filho dos olhos do Rei Xangô). Então,
com estas qualidades, como dizem Mário Ribeiro e Rubimar Constâncio no
prefácio do livro “... as marcas da vivência de um Ojuobá de Xangô – cargo que confere a Albemar a competência de um pensamento
estruturado que agencia a escrita desse trabalho ritualisticamente
produzido (sic)”, eu me sinto apto a formar minha escrita, como o
barro de Nana Buruku, que esteve presente na formação inicial da
humanidade. Para concluir o texto, creio que levei aproximadamente
seis meses. Na época, eu residia em Igarassu e escrevi o texto para os
atores do Grupo Teatral Ariano Suassuna, da Escola Cosme e Damião,
daquela cidade. Eles montaram e participaram de festivais estudantis,
ganharam no Recife e em Caruaru, o prêmio de melhor espetáculo.

4- Qual a importância de obras que falem a respeito da cultura africana? Você acredita que a carência das obras relacionadas à temática pode influenciar a falta de reflexão intelectual na sociedade pernambucana?
A filosofia do Candomblé não é uma filosofia bárbara, e sim um
pensamento sutil que ainda não foi decifrado, com diz o professor
Roger Bastide. Por isso cada obra, cada escrita, no entorno do assunto
merece nosso reconhecimento, haja vista termos pouca literatura
(principalmente dramática) ligada à Cultura e à Religiosidade
Africanas. Meu texto tem um comprometimento com a verdade, uma vez
que minhas palavras não se respaldam apenas nos conhecimentos
empíricos ou mesmo teórico-acadêmicos, mas no conhecimento prático do
interior de uma Casa de Santo – de um terreiro. De quem vivencia a
realidade da incorporação de um Orixá ou mesmo nas comunicações dos
oráculos de Ifá. Quanto à reflexão por conta da sociedade, nós já
começamos a ver e ouvir o sotaque africano, isso já há algum tempo,
nos meios mais sofisticados. Se os gregos nos legaram a base da
cultura e da própria religião, os africanos complementaram essa
cultura e essa religião, com seus saberes milenares.

5- Como você pretende estimular os leitores com sua obra?
Na Prefeitura do Recife (leia-se Gerência Operacional de Formação
Cultural), temos um projeto que leva a leitura de textos de autores
pernambucanos aos mais inusitados recantos de nossa cidade. Constantemente lemos texto dramáticos e debatemos a importância
deles e dos seus autores. Minha obra pretende se inserir nesse
universo de autores que proporcionam o sonhar através da leitura de
uma peça teatral, que se não montada, faz viajar quem a lê. No caso de
Ganga, o leitor mergulhará no universo da religião
africana de uma forma compreensível e agradável. Viajará nos ventos de
Iansã, ouvirá o trovão de Xangô, dançará com a meiga e faceira
Oxum ou mesmo galopará na garupa do cavalo belicoso Obá.

Autógrafo: O sujeito do conhecimento
Livraria Cultura
Autor: Érico Andrade
4 l 19h
O livro mostra como o sujeito, como unidade conceitual do conhecimento, adquiriu centralidade no discurso filosófico e conferiu à condição humana os limites do conhecimento. Com a tese de que a linguagem é uso e que não existe uma estrutura lógica por trás de todas as representações cuja referência é o sujeito, a filosofia passou a relativizar o sujeito do conhecimento a ponto de dissolver a sua compreensão clássica como unidade do conhecimento humano.

01 a 30/06/2012
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