Patrimônio Cultural Imaterial

          Para saber quem somos é preciso penetrar no imaginário popular, viajar pelas nossas lendas e mitos, cantar nossas cantigas, perceber nossos costumes e identificar uma linguagem que, de tão usada, torna-se comum a todos.

          Símbolos que afirmam identidades, heranças, lições do dia-a-dia. Culturas que mesmo quando resultam de expropriações e imposições do passado, resistem como modo de pensar, sentir e fazer do povo. Os heróis imaginários, o jeito próprio de entalhar a madeira, os bonecos de barro que ganham vida, a sabedoria do homem do campo e seus segredos com o roçado, a forma de usar um chapéu ou amarrar um lenço na cabeça.

          Promover e proteger a memória e as manifestações culturais representadas, em todo o mundo, por monumentos, sítios históricos e paisagens culturais é ação de importância amplamente reconhecida. Mas não só de aspectos físicos se constitui a cultura de um povo. Há muito mais, contido nas tradições, no folclore, nos saberes, nas línguas, nas festas e em diversos outros aspectos, transmitidos oral ou gestualmente, recriados coletivamente e modificados ao longo do tempo. A essa porção intangível da herança cultural dos povos, dá-se o nome de patrimônio cultural imaterial.

          Para muitas pessoas, especialmente as minorias étnicas e os povos indígenas, o patrimônio imaterial é uma fonte de identidade e carrega a sua própria história. A filosofia, os valores e formas de pensar refletidos nas línguas, tradições orais e diversas manifestações culturais constituem o fundamento da vida comunitária. Num mundo de crescentes interações globais, a revitalização de culturas tradicionais e populares, assim como a promoção e proteção do patrimônio construído, asseguram a sobrevivência da diversidade de culturas dentro de cada comunidade e contribuem para o alcance de um mundo plural.